Um salão com a agenda lotada pode estar perdendo dinheiro, e um salão mais tranquilo pode estar ganhando bem. A diferença não aparece na agenda nem no caixa do fim do dia: aparece nos números do mês.

Este guia mostra, sem contabilês, quais números acompanhar, como organizar as despesas e como calcular o ponto de equilíbrio do seu negócio, com um modelo pronto para copiar.

Os números para ver todo mês

Indicador Como se calcula O que ele mostra
Faturamento Soma dos serviços e produtos vendidos Quanto entra no negócio
Ticket médio Faturamento ÷ número de atendimentos Quanto cada cliente deixa por visita
Taxa de ocupação Horas com clientes ÷ horas disponíveis Se a agenda tem buracos
Clientes que voltam Clientes que já tinham vindo ÷ total de clientes do mês Se você está fidelizando
Faltas e cancelamentos Agendamentos perdidos ÷ total de agendamentos Quanto você perde em horários vazios
Custos fixos Soma das despesas que não dependem do movimento Quanto precisa faturar só para abrir a porta
Margem de contribuição Faturamento − custos variáveis O que sobra para pagar os custos fixos
Resultado Margem de contribuição − custos fixos Se o mês deu lucro ou prejuízo

Você não precisa de todos no primeiro mês. Comece pelo faturamento, pelas despesas e pelo resultado e vá acrescentando.

Custos fixos e custos variáveis

Custos variáveis sobem e descem com o número de atendimentos:

  • produtos usados nos serviços (coloração, progressiva, gel, cera);
  • comissões dos profissionais;
  • taxa da maquininha e das plataformas de pagamento;
  • no Simples Nacional, o imposto sobre o faturamento.

Custos fixos você paga tendo muitos ou poucos clientes:

  • aluguel, condomínio, IPTU, água, luz e internet;
  • salários fixos e encargos (INSS, FGTS, férias e 13º);
  • o seu pró-labore;
  • contador, sistema, alvará e seguros;
  • no MEI, o DAS, que é um valor fixo por mês;
  • limpeza, lavanderia e descartáveis;
  • divulgação.

Uma dica de um artigo da Comunidade Sebrae sobre a lucratividade dos salões: na dúvida entre fixo e variável, classifique o custo como fixo. Assim você nunca subestima o quanto precisa faturar.

Modelo mensal com exemplo

Um salão no Simples Nacional com R$ 30.000 de faturamento no mês, 400 atendimentos e ticket médio de R$ 75 (valores de exemplo):

Valor % do faturamento
Faturamento R$ 30.000 100%
Produtos (8%) −R$ 2.400 8%
Comissões (40%) −R$ 12.000 40%
Taxa da maquininha (2%) −R$ 600 2%
Imposto do Simples (6%) −R$ 1.800 6%
Margem de contribuição R$ 13.200 44%
Aluguel −R$ 3.500
Luz, água e internet −R$ 600
Sistema de agendamento −R$ 150
Contador −R$ 500
Limpeza e descartáveis −R$ 400
Recepcionista (salário e encargos) −R$ 2.500
Divulgação −R$ 400
Pró-labore do dono −R$ 4.000
Total de custos fixos −R$ 12.050
Resultado do mês R$ 1.150 3,8%

Um mês com 400 atendimentos deixou só R$ 1.150 depois de pagar o pró-labore. Com uma semana de feriados ou um profissional afastado, o mês fica no vermelho.

A alíquota de 6% é a da primeira faixa do Anexo III do Simples Nacional; a sua depende do faturamento e da atividade, então confirme com o seu contador.

Mesa vista de cima com notebook, calculadora e caderno aberto
Uma hora por mês com despesas e faturamento organizados já basta para saber se o negócio dá lucro. Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

O ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo para pagar todos os custos, sem lucro nem prejuízo.

Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição (%)

No exemplo: R$ 12.050 ÷ 44% = cerca de R$ 27.390 por mês.

Com ticket médio de R$ 75, são cerca de 365 atendimentos por mês só para empatar. O salão do exemplo faz 400: está menos de 10% acima do ponto de equilíbrio.

E no salão parceiro?

Na parceria da Lei n.º 12.592/2012, alterada pela Lei n.º 13.352/2016, os valores repassados aos profissionais-parceiros não entram na receita bruta do salão. Na prática, o imposto do Simples do salão incide só sobre a cota-parte dele, e a "comissão" do modelo acima vira o repasse do contrato. Explicamos em Lei do Salão Parceiro.

Como melhorar o resultado

São quatro alavancas, e todas aparecem nos números acima:

1. Aumentar o ticket médio

  • Serviços complementares: barba com o corte, hidratação com a coloração, nail art com o alongamento.
  • Venda de produtos no fim do atendimento, com recomendação personalizada.
  • Pacotes e planos mensais, que antecipam faturamento e aumentam a frequência.

2. Aumentar a ocupação

  • Lembretes e sinal no agendamento para reduzir as faltas. Veja como reduzir as faltas nos agendamentos.
  • Agendamento online a qualquer hora, para não perder cliente fora do horário.
  • Campanhas para os dias fracos, com oferta de horários vagos no status do WhatsApp.

3. Proteger a margem de contribuição

4. Cortar custos fixos que não trazem clientes

Uma vez por ano, revise assinaturas, seguros, fornecedores e divulgação que não dão retorno.

Rotina financeira em 30 minutos por semana

  1. Todo dia: registre todos os atendimentos e as despesas com o comprovante.
  2. Toda semana: confira o caixa, os recebimentos da maquininha e do Pix e as faltas.
  3. Todo mês: preencha o modelo acima, calcule o resultado e o ponto de equilíbrio e compare com o mês anterior.
  4. Todo ano: revise preços, comissões e custos fixos.

Separe as contas. Uma conta bancária só do negócio (PJ) evita misturar despesas pessoais e dá números reais.

Como a Irrivio ajuda

Na Irrivio, você tem esses números sem montar planilha:

  • despesas por categoria, com o comprovante anexado (imagem ou PDF), e despesas fixas recorrentes que se criam sozinhas a cada período;
  • relatórios com faturamento, ticket médio, clientes novos e recorrentes, retenção, ocupação por dia da semana, faltas e cancelamentos e desempenho por profissional;
  • visão financeira com despesas, lucro e margem do período, e faturamento contra despesas;
  • comissões calculadas por serviço e registradas como despesa quando você paga;
  • exportação dos relatórios em PDF e CSV para o seu contador.

A Irrivio tem uma página para cada tipo de negócio: barbearias, salões de beleza, manicure e nail designers e estética.

Perguntas frequentes

Como saber se o meu salão dá lucro?

Some o faturamento do mês, subtraia os custos variáveis (produtos, comissões, taxa da maquininha, imposto do Simples) e depois os custos fixos, incluindo o seu pró-labore. Se o resultado for positivo, o mês deu lucro.

O que é ticket médio no salão?

É o faturamento do período dividido pelo número de atendimentos. Mostra quanto cada cliente deixa, em média, por visita, e sobe com serviços complementares, produtos e pacotes.

Como calcular o ponto de equilíbrio do salão?

Divida os custos fixos do mês pela margem de contribuição em porcentagem (faturamento menos custos variáveis, dividido pelo faturamento). O resultado é o faturamento mínimo para não ter prejuízo.

O pró-labore é custo fixo?

Sim. Se ele não entrar na conta, o negócio parece dar lucro quando, na verdade, só está pagando o trabalho do dono.

O imposto do MEI é custo fixo ou variável?

No MEI, o DAS é um valor fixo por mês, então entra nos custos fixos. No Simples Nacional, o imposto é uma porcentagem do faturamento e entra nos custos variáveis.

Fontes