A comissão é um dos jeitos mais usados de remunerar a equipe no salão, na barbearia e na esmalteria: motiva quem produz mais e ajusta o custo ao movimento. Mas também é uma das maiores fontes de briga entre dono e profissional, quase sempre pelo mesmo motivo: as regras não estavam claras.

Este guia explica os modelos, as porcentagens usadas, o que diz a lei e, principalmente, como calcular a comissão sem colocar em risco a margem do salão.

Informação geral. Para contratos, CLT e impostos, fale com um advogado trabalhista ou com o seu contador.

Os modelos de remuneração

Modelo Como funciona Bom para Cuidado com
Salário fixo Valor mensal independente do movimento Auxiliares, recepção, quem está começando Pouco incentivo para vender e fidelizar
Fixo + comissão Salário base e uma porcentagem dos serviços ou das vendas A maioria das equipes CLT Definir bem a base de cálculo
Só comissão Porcentagem de cada serviço Profissionais com clientela própria Na CLT, o salário mínimo continua garantido
Comissão escalonada A porcentagem sobe quando o faturamento passa de certas metas Premiar quem mais produz Metas realistas e fáceis de acompanhar
Valor fixo por serviço Um valor por corte, manicure ou procedimento Serviços com preço estável Revisar quando os preços mudam
Salão parceiro O salão retém a sua cota-parte e repassa a do profissional Profissionais autônomos dentro do salão Contrato escrito e homologado, sem subordinação
Comissão sobre produtos Porcentagem da venda de produtos, separada dos serviços Aumentar a venda na recepção Não misturar com a comissão dos serviços

Qual porcentagem se paga

Não existe uma porcentagem definida por lei. O que circula no mercado são médias de blogs de sistemas de gestão. O Blog Trinks, por exemplo, fala em:

Profissão Faixa citada
Manicure 40% a 60%
Barbeiro 40% a 60%
Cabeleireiro 30% a 50%
Esteticista 30% a 50%

Esses números não têm fonte e servem só como ponto de partida. O próprio artigo lembra que o valor ideal depende dos custos de cada salão.

Porcentagens altas fazem sentido quando o profissional traz os clientes, usa o próprio material ou o serviço gasta pouco produto. Porcentagens mais baixas se justificam quando o salão fornece clientes, recepção, produtos caros e divulgação.

O que diz a lei

Profissional com carteira assinada (CLT)

  • Salário mínimo garantido. A Constituição (artigo 7º, inciso VII) garante salário nunca inferior ao mínimo para quem recebe remuneração variável. Em 2026, o mínimo nacional é de R$ 1.621. Se a convenção coletiva da categoria fixar um piso maior, vale o piso.
  • Comissão é salário. Pela CLT (artigo 457, § 1º), as comissões integram o salário. Por isso entram no cálculo de férias, 13º salário e FGTS.
  • DSR sobre comissões. A Súmula 27 do TST garante ao comissionista a remuneração do descanso semanal e dos feriados. Na prática, é preciso pagar o reflexo das comissões nos domingos e feriados do mês.

Salão parceiro

Na parceria da Lei n.º 12.592/2012, com as mudanças da Lei n.º 13.352/2016, o profissional-parceiro não é empregado. O salão recebe dos clientes, retém a sua cota-parte e repassa a do profissional, com contrato escrito e homologado. A divisão é negociada no contrato, e não chamada de comissão. Explicamos tudo em Lei do Salão Parceiro.

O risco aparece quando o "parceiro" cumpre horário imposto, recebe ordens como empregado ou trabalha sem contrato formalizado: aí a relação pode ser reconhecida como vínculo de emprego.

A base de cálculo vale mais do que a porcentagem

Dois salões que pagam "50%" podem estar pagando valores muito diferentes. Veja uma coloração de R$ 200 paga no cartão, que gasta R$ 40 de produto, com taxa do cartão de 3% (R$ 6) e imposto do Simples de 6% (R$ 12), valores de exemplo:

Base de cálculo Comissão O que sobra ao salão (depois de produto, taxa e imposto)
50% do valor cheio (R$ 200) R$ 100,00 R$ 42,00
50% do valor sem taxa e imposto (R$ 182) R$ 91,00 R$ 51,00
50% do valor sem produto, taxa e imposto (R$ 142) R$ 71,00 R$ 71,00
40% do valor sem produto, taxa e imposto (R$ 142) R$ 56,80 R$ 85,20

Com os R$ 42 da primeira linha, o salão ainda precisa pagar aluguel, luz, recepção, sistema e contador. É assim que muitos salões lotados perdem dinheiro sem perceber.

Decida e coloque no papel:

  1. A comissão é calculada sobre o valor cheio ou sobre o valor líquido?
  2. Desconta-se o custo dos produtos (sobretudo em coloração, mechas, progressiva e alongamento de unhas)?
  3. A taxa da maquininha é descontada? E a do parcelamento?
  4. Descontos e cupons reduzem a base?
  5. Retoques gratuitos, refações por reclamação e serviços em colegas contam?
  6. Clientes da casa e clientes trazidos pelo profissional têm a mesma porcentagem?

Qual a comissão máxima que o salão aguenta

Um jeito simples de chegar a um teto:

Comissão máxima = 100% − custos fixos (em % do faturamento) − produtos (%) − taxas e impostos (%) − margem desejada (%)

Exemplo: um salão cujos custos fixos (aluguel, luz, recepção, sistema, contador) representam 25% do faturamento, que gasta 10% em produtos, perde 9% em taxa do cartão e imposto e quer 15% de margem aguenta pagar até 41% de comissão sobre o valor cheio. Pagar 50% sobre o valor cheio fica bem acima disso.

Para conhecer o seu custo por hora e por serviço, leia Como precificar os serviços do salão.

Recepcionista sorrindo no balcão de um salão com um tablet
Recepção, agendamentos e produtos são custos do salão que a comissão precisa deixar cobrir. Foto: RDNE Stock project / Pexels

Comissão por profissão: o que muda

  • Barbeiros: serviços rápidos e com pouco produto. As comissões costumam ser mais altas, e muitas barbearias usam metas escalonadas para premiar quem faz mais cortes.
  • Cabeleireiros: coloração, mechas e progressiva gastam muito produto. É comum descontar o produto antes de calcular a comissão, ou usar porcentagens diferentes para corte e para química.
  • Manicures e nail designers: o material do alongamento pesa. Se a profissional traz o próprio material, a porcentagem sobe.
  • Esteticistas: procedimentos com aparelhos caros justificam porcentagens menores nesses serviços do que nos manuais.

Como evitar conflitos

  1. Regras por escrito, assinadas, antes de começar.
  2. Extrato mensal por profissional, com cada serviço, a base de cálculo e o valor da comissão.
  3. Data fixa de pagamento, sempre cumprida.
  4. Revisão anual das porcentagens quando os preços ou os custos mudam.
  5. Mesma regra para todos na mesma função, ou diferenças justificadas e conhecidas.

Como a Irrivio ajuda

Na Irrivio, as comissões ficam calculadas sem planilha:

  • você define uma comissão por profissional, em porcentagem ou valor fixo;
  • pode ajustar por serviço (por exemplo, uma porcentagem para corte e outra para coloração);
  • cada serviço de um agendamento concluído gera automaticamente o valor ganho, guardado com a taxa aplicada naquele dia, para que mudanças futuras não alterem o passado;
  • você registra os pagamentos por período a cada profissional, que entram automaticamente nas despesas e nos relatórios financeiros.

A Irrivio tem uma página para cada tipo de negócio: barbearias, salões de beleza, manicure e nail designers e estética.

Perguntas frequentes

Qual a porcentagem de comissão de um cabeleireiro?

Não existe porcentagem legal. Blogs de sistemas de gestão falam em 30% a 50% para cabeleireiros e 40% a 60% para manicures e barbeiros, sem fonte. O mais importante é definir a base: valor cheio ou líquido, e com ou sem o custo dos produtos.

Quem ganha só comissão tem direito ao salário mínimo?

Sim, se for registrado pela CLT. A Constituição garante salário nunca inferior ao mínimo (R$ 1.621 em 2026) para quem recebe remuneração variável, e a convenção coletiva pode fixar um piso maior. No salão parceiro, o profissional não é empregado e recebe a cota-parte do contrato.

Comissão entra no DSR, nas férias e no 13º?

Sim, para quem é CLT. As comissões integram o salário (CLT, artigo 457), e a Súmula 27 do TST garante o reflexo das comissões no descanso semanal remunerado e nos feriados.

Deve-se descontar o produto antes de calcular a comissão?

Nos serviços que gastam muito produto, como coloração, progressiva e alongamento, é uma prática comum e protege a margem. Nos serviços com pouco produto, como corte, costuma não se descontar.

Como calcular a comissão máxima que posso pagar?

Subtraia de 100% o peso dos custos fixos no faturamento, dos produtos, das taxas e impostos e a margem que você quer ter. Com custos fixos de 25%, produtos de 10%, taxas e impostos de 9% e margem de 15%, o teto é de 41% sobre o valor cheio.

Fontes