Uma cadeira vazia num salão é custo sem receita. Para um barbeiro ou cabeleireira com clientela própria, trabalhar num espaço já montado é muito mais barato do que abrir o seu. O aluguer de cadeira junta as duas necessidades, e por isso é cada vez mais comum em Portugal.

Mas é também uma fonte frequente de conflitos e, mal feito, de problemas legais. Este guia explica como funciona, quanto se cobra e o que deve ficar escrito.

Informação geral. Cada caso é diferente: revê o contrato com um jurista e as questões de IVA e Segurança Social com um contabilista.

Como funciona o aluguer de cadeira

  1. O salão cede um posto de trabalho (cadeira, mesa de manicure ou gabinete) e, normalmente, as despesas comuns do espaço.
  2. O profissional independente paga um valor ao salão, atende os seus próprios clientes, define os seus preços e fatura em seu nome.
  3. Cada um trata das suas obrigações: o profissional tem a sua atividade aberta e paga a sua Segurança Social; o salão fatura o aluguer ao profissional.

Os três modelos de pagamento

Modelo Como funciona Vantagens Desvantagens
Valor fixo Um montante por mês (ou por semana) Simples; o salão sabe quanto recebe; o profissional fica com tudo o que fatura acima disso O profissional paga mesmo nos meses fracos
Percentagem Uma parte do que o profissional fatura Acompanha o movimento; bom para quem está a começar Obriga a controlar a faturação do profissional; gera desconfiança se não houver transparência
Híbrido Valor fixo mais baixo + percentagem Divide o risco Mais difícil de explicar e de controlar

Quanto custa alugar uma cadeira em Portugal

Analisámos os anúncios de aluguer de cadeiras, mesas e gabinetes em salões, barbearias e estéticas publicados no OLX entre 15 de agosto e 12 de setembro de 2026, com preço indicado. Os valores são mensais.

Posto Mediana por mês Metade dos anúncios entre Mínimo e máximo Anúncios
Cadeira de cabeleireiro ou barbeiro 275 € 237,50 € e 312,50 € 150 € a 500 € 20
Mesa de manicure 230 € 200 € e 269 € 150 € a 300 € 10
Gabinete ou sala de estética 285 € 218 € e 338 € 170 € a 400 € 10

O que costuma estar incluído, segundo as descrições: água, luz e internet aparecem com frequência; alguns anúncios incluem produtos ou toalhas, e poucos incluem receção ou marcações.

Limitações: amostra pequena, de um só portal, concentrada nas áreas de Lisboa e do Porto; o preço anunciado é negociável em muitos casos.

Cadeira de barbeiro vintage num posto de trabalho com espelho e ferramentas
Numa cadeira alugada, o posto é do salão, mas os clientes, os preços e a faturação são do profissional. Foto: Farhan Alkhaled / Pexels

Como calcular um valor justo

Para o dono do salão, o valor deve cobrir a parte dos custos do espaço que o posto ocupa, mais uma margem:

  1. Soma os custos fixos do salão (renda, água, luz, internet, limpeza, seguros).
  2. Divide pelo número de postos.
  3. Soma o que incluis a mais (produtos, toalhas, receção) e uma margem.

Exemplo: um salão com 1.400 € de custos fixos e 5 postos tem 280 € de custo por posto. Um aluguer de 300 € a 350 € por mês cobre o custo e deixa margem.

Para o profissional, compara com o que ficas a ganhar. Com 8 cortes por dia a 15 € em 22 dias, faturas 2.640 € por mês; o aluguer de 275 € é cerca de 10% da faturação. Vê as contas completas em Quanto ganha um barbeiro, cabeleireiro e nail designer em Portugal.

Cuidado com os falsos recibos verdes

O ponto mais delicado. O artigo 12.º do Código do Trabalho presume que existe um contrato de trabalho quando se verificam algumas destas características:

  • a atividade é feita em local pertencente ao beneficiário ou por ele determinado;
  • os equipamentos e instrumentos de trabalho pertencem ao beneficiário;
  • o prestador cumpre horas de início e de fim determinadas pelo beneficiário;
  • é paga ao prestador, com certa periodicidade, uma quantia certa como contrapartida da atividade;
  • o prestador desempenha funções de direção ou chefia.

Num aluguer de cadeira, as duas primeiras são quase inevitáveis (o espaço e parte do equipamento são do salão). Por isso é importante que as outras não existam e que haja autonomia real:

Aponta para aluguer verdadeiro Aponta para contrato de trabalho disfarçado
O profissional paga ao salão O salão paga ao profissional um valor certo
Os clientes são do profissional e marcam com ele O salão distribui os clientes da casa
O profissional define os seus preços O salão fixa os preços
O profissional escolhe os seus horários, dentro do horário de abertura O salão impõe turnos e horas de entrada e saída
O profissional fatura em seu nome O salão fatura e depois "passa" uma parte
O profissional usa as suas ferramentas Tudo é do salão, incluindo os produtos

A lei considera contraordenação muito grave a prestação de atividade de forma aparentemente autónoma em condições de contrato de trabalho. Se o que queres é alguém com horário fixo, clientes da casa e um valor certo por mês, o caminho é um contrato de trabalho, eventualmente com comissões: vê Comissões de cabeleireiros, barbeiros e manicures.

Obrigações de cada lado:

  • Profissional: atividade aberta nas Finanças, faturas aos seus clientes, Segurança Social como independente. Vê Trabalhador independente no setor da beleza.
  • Salão: fatura o aluguer ao profissional. O IVA dessa fatura depende do que é cedido (só espaço, espaço equipado, serviços incluídos): confirma com o contabilista.

O que pôr no contrato

Uma lista para adaptar com um jurista:

  1. Identificação das partes, com NIF e atividade do profissional.
  2. Objeto: qual o posto cedido (cadeira, mesa, gabinete) e em que espaço.
  3. Valor, periodicidade, data e forma de pagamento, e atualização anual.
  4. O que está incluído: água, luz, internet, limpeza, toalhas, produtos, receção, marcações, música.
  5. Horário de acesso ao espaço (o horário de abertura do salão), sem impor turnos.
  6. Clientes e marcações: os clientes são do profissional; como se tratam clientes que chegam sem marcação.
  7. Preços e faturação: cada um define os seus preços e fatura em seu nome.
  8. Equipamento e produtos: o que é do salão e o que é do profissional.
  9. Higiene e segurança: limpeza e esterilização do posto e das ferramentas.
  10. Seguros: responsabilidade civil do profissional.
  11. Imagem: uso do nome e do Instagram do salão, fotos dos trabalhos.
  12. Caução, duração, aviso prévio para terminar e o que acontece aos clientes no fim.

Como a Irrivio ajuda

Na Irrivio, cada profissional da localização tem a sua agenda, os seus horários e os serviços que faz, e aparece na página de marcações para os clientes escolherem com quem marcar. Os relatórios por profissional mostram a receita e o número de atendimentos de cada um, o que ajuda a manter a transparência num modelo de percentagem.

A Irrivio tem uma página para cada tipo de negócio: barbearias, cabeleireiros, unhas e estética.

Perguntas frequentes

Quanto custa alugar uma cadeira de cabeleireiro ou barbeiro em Portugal?

Nos anúncios publicados no OLX entre agosto e setembro de 2026, a mediana foi de 275 € por mês, com metade dos anúncios entre cerca de 240 € e 310 €. Uma mesa de manicure custava 230 € e um gabinete de estética 285 €.

Sim, desde que seja uma relação verdadeiramente autónoma: o profissional tem os seus clientes, define preços e horários e fatura em seu nome. Se o salão impõe horários, distribui clientes e paga um valor certo, pode ser considerado um contrato de trabalho disfarçado.

É melhor cobrar valor fixo ou percentagem pelo aluguer?

O valor fixo é mais simples e previsível para os dois. A percentagem acompanha o movimento do profissional, mas exige controlo transparente da faturação. Um modelo híbrido divide o risco.

O que deve estar incluído no aluguer de uma cadeira?

Nos anúncios, o mais comum é incluir água, luz e internet. Produtos, toalhas, receção e marcações variam. O importante é que tudo fique escrito no contrato.

Fontes

  • Código do Trabalho, artigo 12.º (presunção de contrato de trabalho). PGDL.
  • Levantamento Irrivio de 40 anúncios de aluguer de cadeiras, mesas e gabinetes em salões, barbearias e estéticas publicados no OLX Portugal entre 15 de agosto e 12 de setembro de 2026.